Resenha #117 | Um tom mais escuro de magia, de V. E. Schwab

Sinopse: Kell é um dos últimos Viajantes — magos com uma habilidade rara e cobiçada de viajar entre universos paralelos conectados por uma cidade mágica. Existe a Londres Cinza, suja e enfadonha, sem magia alguma e com um rei louco — George III. A Londres Vermelha, onde vida e magia são reverenciadas, e onde Kell foi criado ao lado de Rhy Maresh, o boêmio herdeiro de um império próspero. A Londres Branca: um lugar onde se luta para controlar a magia, e onde a magia reage, drenando a cidade até os ossos. E era uma vez... a Londres Negra. Mas ninguém mais fala sobre ela. Oficialmente, Kell é o Viajante Vermelho, embaixador do império Maresh, encarregado das correspondências mensais entre a realeza de cada Londres. Extra-oficialmente, Kell é um contrabandista, atendendo pessoas dispostas a pagar por mínimos vislumbres de um mundo que nunca verão. É um hobby desafiador com consequências perigosas que Kell agora conhecerá de perto. Fugindo para a Londres Cinza, Kell esbarra com Delilah Bard, uma ladra com grandes aspirações. Primeiro ela o assalta, depois o salva de um inimigo mortal e finalmente obriga Kell a levá-la para outro mundo a fim de experimentar uma aventura de verdade. Magia perigosa está à solta e a traição espreita em cada esquina. Para salvar todos os mundos, Kell e Lila primeiro precisam permanecer vivos.
Um Tom Mais Escuro de Magia | V. E. Schwab | 420 páginas | Editora Record | Avaliação: 5/5 | Skoob

Em “Um tom mais escuro de magia”, nosso mundo é dividido em quatro universos e cada uma dessas realidades possui uma Londres em comum. É em torno dessas cidades que a história irá girar. Kell é um Viajante, um dos últimos magos com a capacidade de viajar entre mundos.

Devido a suas habilidades, Kell é embaixador do império Maresh – não totalmente por vontade própria – e é encarregado pelo contato entre os reis de cada Londres. Para diferenciá-las, ele identifica cada uma por cores, levando em conta a história de cada uma com a magia.

A Londres Cinza esqueceu a magia, tornando-se um lugar praticamente abandonado, com moradores que levam suas vidas sem saber e sem se importar com o que acontece ao redor; a Londres Vermelha é o lar de Kell, onde a vida e a magia vivem em equilíbrio; na Londres Branca, aos poucos a magia vai dominando os desejos de todos e a fome por ela aumenta cada vez mais; a última Londres Negra, está apenas nas histórias e lendas contadas, pois foi completamente consumida.

Em uma de suas missões mais recentes, Kell acaba caindo em uma armadilha e se vê de posse de um artefato que não deveria nem existir, algo que pode não só trazer sérios problemas como também colocar tudo o que ele conhece em perigo. O caso é que outras pessoas estão atrás do poder provocado pelo objeto. E, em uma tentativa de fuga, o rapaz acaba conhecendo Lila Bard, uma ladra de mãos leves que se envolve até demais no assunto. Depois de muita discussão, os dois precisarão fugir e encontrar uma forma de sumir com o artefato.

Eu não sei nem explicar o que senti durante a leitura dessa obra. Quando comecei a ler, tinha o objetivo de intercalar duas leituras, mas comecei essa e esqueci completamente da outra. É uma leitura eletrizante, que me prendeu já nas primeiras páginas. No início fiquei confusa com a viagem entre mundos, não havia entendido a questão das Londres, mas conforme a leitura avançou, foi bem fácil compreender os mistérios que permeiam cada uma delas.

A cabeça de Kell doeu ao perceber que, se a pedra não podia ser destruída, ele teria que se livrar dela. Mandá-la para longe, para algum lugar em que não pudesse causar danos. E havia apenas um lugar onde ela estaria protegida, e todos estariam protegidos dela.
Está com medo de morrer?, perguntara Holland a ele no beco. E Kell estava. Sempre estivera, desde que conseguia se lembrar. Ele temia não viver, temia deixar de existir.

Como disse, Kell vive na Londres Vermelha. Foi criado pela família real e cresceu com o príncipe Rhy Maresh, mas nunca se sentiu de fato como parte da família. Isso fez com que ele adquirisse hábitos secretos que apenas Rhy sabia e abominava: o mago tinha o costume de pegar objetos de outras Londres e guardar consigo – coisa que era considerada um crime; colecionadores dariam uma fortuna por isso.

Eu me apaixonei por Lila e Kell – e seu casaco de diversos lados. Ela é determinada, uma garota forte e diferente de todas as outras de sua época: seu maior sonho é ser pirata e ter o próprio navio. Sem nenhum amigo ou familiar por perto, ela aprendeu a se virar sozinha e simplesmente não aceita as tentativas de Kell de protegê-la. No entanto, seu jeito espontâneo pode colocá-la em sérios problemas. Quanto aos dois, há um princípio de romance, mas esse não é o foco da história então não há cenas nessa esfera – mas isso não foi o suficiente para me impedir de torcer para vê-los juntos, hahah.

O que achei muito legal foi a história criada em torno das quatro Londres e a relação que elas levam agora. Inicialmente todos que quisessem poderiam viajar entre uma e outra, mas portas foram construídas e seladas quando a Londres Negra ameaçou colocar tudo a perder. Desde então, apenas os Antari têm a capacidade de viajar, mas, mesmo assim, ninguém se atreve a tentar chegar até a última Londres, pois as chances de sair de lá com vida são praticamente nulas.

- Peço desculpas por qualquer coisa que eu tenha feito. Eu não era eu mesmo.
- Peço desculpas por ter atirado na sua perna - falou Lila. - Eu era totalmente eu mesma.
Danem-se os vestidos bonitos, pensou ela. Prefiro um navio.

Tem muito mais coisa que eu gostaria de falar, como o elo entre Kell e a família real e, principalmente, com Rhy ou os encontros cheios de luta de Kell e Holland, o outro Antari. Os dois são como irmãos e é lindo ver o quanto Kell é determinado a fazer de tudo pelo bem do príncipe. Isso fica ainda mais evidente conforme os problemas desencadeiam; aos poucos vamos descobrindo todos os pensamentos e inseguranças do rapaz, tudo o que ele deseja e o que gostaria de mudar.

O final me deixou desapontada, mas apenas porque não foi como eu esperava, pois agora estou só pensando em como será a continuação, no entanto foi bom, que me fez suspirar. Uma coisa que me incomodou de fato foi não saber a idade média de nenhum dos personagens; para mim, esse é um bom detalhe para conseguir imaginar ainda melhor todos os acontecimentos.


Acompanhe-nos:

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

[Divulgação] Zip Anúncios