Resenha #112 | Victoria e o Patife, de Meg Cabot | Galera Record

Sinopse: Criada pelos tios na Índia, Victoria é enviada a Londres aos 16 anos a fim de conseguir um marido. Mas é na longa viagem até a Inglaterra que a jovem encontra o amor, na figura de Hugo Rothschild, o nono Conde de Malfrey. Tudo estaria ótimo se não fosse a insuportável interferência do capitão do navio, Jacob Carstairs. Por que ele não pode confiar na escolha de Victoria? Por que ele não a deixa em paz? Estaria Hugo escondendo algo?
Victoria e o Patife | Meg Cabot | 256 páginas | Galera Record | Avaliação: 5/5+ | Skoob

Não irei me ater muito nos detalhes sobre o enredo porque, por se tratar de um livro relativamente curto, ele é exatamente o que diz a sinopse. Com 16 anos, Victoria já havia perdido os pais e vivia com três tios na Índia quando foi mandada para a Inglaterra com o único objetivo de casar-se. Mas o que era para ser algo bom acabou virando um escândalo quando ela aceitou um pedido de casamento antes mesmo de descer do navio, três meses depois de conhecer o rapaz e conviver com ele durante toda a viagem.

Em uma época de condes, lordes e capitães, a moça que não se casasse até uma determinada idade passava a ser vista com maus olhos, assim como as divorciadas e as que se aproximassem de um homem sem a intenção de consumar o matrimônio. Assim que a garota assumiu o noivado com o nono Conde de Malfrey, Hugo Rothschild, ao chegar a casa dos tios que a hospedariam, o primeiro a tentar impedi-la foi o Capitão Carstairs, que presenciou o momento em que a mão de Victoria foi pedida e ela aceitou e que fazia questão de sempre interferir nas decisões da moça. O que era para ser o melhor acontecimento na vida de uma mulher, aos poucos foi se tornando um grande pesadelo.

O modelo inglês de cortejo parecia completamente bárbaro – e injusto com as meninas, achava Victoria. E se uma garota não fosse atraente ou se fosse pobre? Quem iria se casar com ela, então?

Gente. Do. Céu. Que autora é essa? Que história é essa?! Foi bem difícil sair das primeiras páginas do livro, porque eu construí uma verdadeira relação de amor e ódio com os personagens. No início eu só tinha vontade de dar uma surra em todo mundo. Principalmente em Victoria, que não poderia ser mais chata e infantil, e no Capitão Carstairs, por ser tão ridículo. Durante boa parte achei ambos extremamente irritantes e achei que durante toda a leitura seria assim. Não poderia estar mais errada.

Fiquei um bom tempo tentando decifrar o significado do título. Sempre que chegava a uma conclusão, acontecia algo que tirava toda a certeza. Quando enfim descobri, foi um booom no cérebro. Foi meu primeiro contato com a autora e acredito que não poderia ter sido melhor, uma vez que, depois que a leitura engatou, eu só queria saber de ler e ler e ler. Meg Cabot sempre foi uma autora muito bem comentada e eu tinha muita vontade de conhecer a escrita dela. Não sei se Victoria e o Patife foi uma boa obra para começar, mas de um jeito ou de outro eu amei a experiência e já quero ler outras coisas dela.


Ao se virar e finalmente seguir para as escadas e para a cama, Victoria concluiu, cansada: realmente, homens eram criaturas muito exaustivas. Em especial aqueles por quem a pessoa acabava se apaixonando.

O cenário do enredo é a Inglaterra no ano de 1810 e todos os personagens foram construídos de uma forma sensacional, seguindo as características da época. Mesmo que alguns deles sejam completamente idiotas ainda continuam incríveis, porque dá para acreditar que pessoas assim tenham existido há tanto tempo atrás, assim como existem nos dias de hoje. Muitos deles nos provocam raiva com seu comportamento, outros nos fazem rir com comentários irônicos e alguns simplesmente nos deixam entediados, mas todos têm o seu peso no enredo.

Victoria se sentia perfeitamente confortável dizendo aos outros [...] o que deveria ser feito. Mas, quando dizia respeito à própria vida [...], a jovem parecia totalmente incapaz de tomar as decisões corretas.

Não é um livro de grandes emoções e reviravoltas – ao menos eu não achei –, mesmo assim, é uma boa experiência, pois se trata de uma leitura rápida que nos deixa curiosos pelo que irá acontecer. O que eu mais gostei foi o quanto Victoria cresceu durante a história. Uma cena em específico me atraiu, quando um menino de rua tentou roubar a bolsa de sua prima e a garota o derrubou com as próprias mãos, já que não tinha nenhum guarda por perto, e, quando foi decretado que ele fosse enforcado pelo que fez, ela causou uma distração e deixou o menino escapar. Depois somente ignorou os comentários que diziam que uma dama nunca deveria ter feito aquilo.

No geral, foi uma leitura sensacional. Não tenho do que reclamar, pois amei ter essa obra na lista de leituras para intercalar com outras obras mais densas ou de histórias mais pesadas. Foi ótimo ver Victoria se importando com crianças de rua que eram menos consideradas que animais. Também foi uma boa chance de conhecer e saber mais como funcionava a sociedade naquela época da história. O trabalho da Galera Record ficou sensacional!


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Comentários

  1. Amei esse post, realmente esse livro é muito bom <

    https://RafaellaMerchan.blogspot.com

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