Resenha #83 | Boa Noite, de Pam Gonçalves | Editora Galera Record


Não pensei que fosse ligar para proporção de homens x mulheres na sala de aula - quarenta e seis garotos e quatro garotas. Afinal, somos todos jovens adultos civilizados, que não estão mais no ensino fundamental para insistir em piadinhas sem graça sobre mulheres não terem direito de estarem ali. O pior é que até os professores estimulam o comportamento!
FICÇÃO BRASILEIRA | 240 PÁGINAS | GALERA RECORD | CLASSIFICAÇÃO: 5/5 | OFERTAS | SKOOB


Alina é uma garota que sempre foi taxada de nerd devido a suas boas notas e seu bom comportamento. Mas, depois de finalizar o ensino médio, ela está determinada a mudar essa reputação e vê a chance de realizar seus sonhos ao entrar para a faculdade. Alina sai de sua cidade para morar em Pedra Azul, um município universitário, que tem tudo o que os alunos possam precisar, afim de finalmente recomeçar e estudar o que tanto ama: engenharia da computação.

As coisas já começam bem quando, no dia de sua inscrição, ela encontra um panfleto em um mural anunciando a vaga em uma república. Só o nome do lugar diz basicamente tudo: República das Loucuras. Lá ela conhece Manu, a líder, baladeira, companheira e sempre agitada; Talita e Bernardo, o casal apaixonado que não perde uma oportunidade de demonstrar seu amor; e Gustavo, que se destaca por ser um estudante de medicina completamente diferente dos outros garotos.
Encaro a calça jeans justa com rasgos nas coxas que estou usando e a camiseta preta colada ao meu corpo que Manu insistiu para que eu comprasse, depois de dizer que não poderia me emprestar todas as suas roupas. Bem diferente dos moletons e das calças largas de antes. Como posso ter mudado tanto em tão pouco tempo? Era esse o meu objetivo quando cheguei na república, mas será que foi uma boa escolha?


A partir das novas amizades, Alina finalmente descobre o que é ser popular, levando uma vida baseada em festas e com direito a iniciação na bebida e encontros com um garoto. Porém, conforme as coisas avançam, a garota já não tem tanta certeza de que estava pronta para a transformação. As coisas começam a sair do controle e ela não acredita em tudo o que mudou em apenas dois meses na nova moradia. Felizmente, ela pode contar com os amigos que fez no local e com as quatro colegas que são seu maior apoio na faculdade.
A leitura de Boa Noite foi algo simplesmente incrível para mim, de modo que mal havia finalizado a leitura e precisei vir apresentar minha opinião. De forma leve e de fácil entendimento, Pam Gonçalves conquista com muito mais do que mostra a sinopse. Somos apresentados a temas sérios, como estupros e machismo, de uma forma que ficamos refletindo o motivo de muitas pessoas ainda aderirem a isso.
Pam nos mostra como é importante a união entre as mulheres em um cenário onde tudo conspira contra. Alina é uma das quatro únicas alunas no meio de todos os homens no curso que faz e, como se não bastasse, todos eles, com apoio até de alguns professores, deixam clara a descrença no sucesso de cada uma delas, afirmando que não deveriam nem mesmo estar ali. É nessa situação que as quatro unem-se através de um projeto que tem como objetivo reverter esses acontecimentos e ajudar outras mulheres que são vítimas das várias espécies de abusos.
Boa Noite foi de uma leitura tão intensa que é impossível evitar aquele pensamento de que, por mais que eu escreva, nunca irei expressar tudo o que a obra transmite. Não conhecia a escrita dela, mas agora com certeza passei a admirá-la. É um livro que recomendo, claro.


Demora alguns segundos para decidir o que vai tocar, mas quando enfim começa, eu quase tenho vontade de chorar. Reconheço aquela melodia, cantei por muito tempo durante as férias, enquanto sonhava sobre a minha nova faculdade.
Todos os personagens são encantadores à sua maneira, com exceção de um ou outro que foi criado justamente para gerar a desordem. Manu foi a que mais ficou próxima de Alina, arrastando-a para festas já na primeira semana de aula e incentivando a garota a conhecer rapazes. Por culpa de Manu, Alina acabou por tornar-se mascote da república por ser a única caloura. Entre Manu e Talita, a segunda é a mais sensata, muitas vezes sabendo o que deve ser feito em cada situação.
Bernardo, namorado de Talita, parece um irmão mais velho. Ele não tem muito diálogo, mas, quando fala, sempre é tentando ajudar. O garoto é mega ciumento e também é divertido. Gustavo é o mais reservado de todos. Logo chama atenção de Alina por sua beleza, mas surpreende mesmo por seu caráter ao longo do enredo. Conforme lemos, aprendemos mais sobre sua história. Outros garotos do curso de medicina também têm importância na construção da narração. Caio, irmão de uma das colegas de Alina, é o principal causador de problemas.
Digo, mais uma vez, que a leitura foi muito bem aproveitada. A edição da Galera Record também ficou bonita. O tamanho da fonte é ótimo para leitura, com as folhas amareladas que tanto gostamos. No geral, não tem grandes enfeites, só o básico. Os capítulos sempre começam com alguma afirmação de Alina, como se fossem os seus primeiros pensamentos no dia, coisa que achei muito legal. Entretanto, particularmente, não gostei nada dessa parte da edição. A fonte é enorme, fazendo com que uma única frase tome metade da página e parece ter havido erro com a fonte na hora da impressão.
Com todos os altos e baixos, recomendo para quem está em busca de um livro repleto de conselhos que podem – e devem – ser colocados em prática durante nosso cotidiano. A preocupação de cada um dos personagens com o que está acontecendo ao redor e a dedicação para mudar todas as coisas horríveis é encantadora. 

Comentários

  1. Oi, Fernanda.
    Eu não conheço a autora mas estou bem curiosa para ler esse livro. Eu também já vi como é complicado ter aulas com o público alvo masculino já que peguei aulas com o pessoal da engenharia. Acho muito legal que a autora aborde esse temas de uma forma leve, não deixando a leitura pesada, mas de maneira que flui naturalmente.
    Abraço! Leitora Encantada

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    Respostas
    1. Oie! Eu também não conhecia muito bem, mas fui surpreendida positivamente. Imagino que não Triste saber que é uma situação tão comum na nossa sociedade. Não deveria nem existir a possibilidade de uma mulher se sentir ameaçada ou desencorajada só por ser minoria. Adorei seu comentário! Obrigada pela opinião ♥

      Beijos!

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