11.11.16

Resenha #86 | No meio do caminho tinha um amor, de Matheus Rocha | Editora Arqueiro


Às vezes me pergunto aonde as nossas diferenças ainda vão nos levar. Mas tenho medo do fim. Tenho medo do "nunca mais" ou até mesmo de um "até logo", de um tempo que possa não ser suficiente para trazer você de volta. É que tudo em mim cresce, extrapola os limites, cega meus olhos. Sinto que machuco você.

CRÔNICAS | 176 PÁGINAS | EDITORA ARQUEIRO | AVALIAÇÃO: 4/5 | OFERTAS | SKOOB


Durante toda a leitura somos apresentados a um tema em especial: o amor. Mas não é apenas aquela água com açúcar, onde tudo é maravilhoso. Matheus nos apresenta, de forma esplêndida, todas as vantagens e consequências que viveu na própria pele – e é isso que deixa tudo mais especial. Somos arrebatados por crônicas que, em muitos momentos, parecem estar descrevendo situações de nossa vida e, em outros, nos dão vontade de apenas abraçar alguém e dizer que tudo ficará bem. É impossível não se identificar com, pelo menos, uma frase do autor.


Através de crônicas curtas que possibilitam uma leitura mais acelerada, o livro é dividido em três partes: fim, meio e começo – respectivamente. “Começo” é a menor parte do livro, de modo que as outras duas tomam um grande espaço. Para mim, isso acabou por tornar-se um ponto negativo. “Fim” e “meio” abordam o – óbvio – fim do relacionamento e as complicações enfrentadas quando as coisas já não estavam muito bem. Mas tanto drama durante mais da metade da narração deixou minha leitura arrastada e pouco aproveitada.

Sou, no fim das contas, a única pessoa que irá percorrer a minha história. Sendo assim, a única a quem devo satisfação.


Uma onda de arrependimentos e desilusões nos atinge quando descobrimos um relacionamento que não tinha motivos para continuar quando nenhum realmente queria estar ali. Essa experiência negativa me frustrou bastante, pois eu li ótimos comentários sobre a escrita do Matheus e estava bem empolgada para começar a ler. Acredito não ter realizado a leitura no momento certo, por isso não aproveitei tanto quanto gostaria. Tentarei reler em uma ocasião mais favorável. Contudo, não posso dizer que a leitura foi de todo ruim, porque várias das citações do livro me deixaram refletindo sobre diversas situações.

Uma das coisas que mais impressionaram nessa obra foi a edição e parte gráfica. Todas as ilustrações, tanto da capa quanto do interior do livro, foram feitas por Phellipe Wanderley e ele merece infinitas felicitações, pois cada imagem deu outro ar para a leitura. As folhas da obra são um pouco mais espessas que o normal e são brancas. Como disse antes, a obra é dividida em três partes e cada uma delas se inicia com uma página em vermelho. A fonte tem um tamanho médio e cada conto tem a primeira letra personalizada.


Diante desse nosso final inegável, quero dizer que tentei de tudo. Fiz tudo que estava ao meu alcance. Ou melhor, fui além. [...] Corri léguas, me fiz de bom, de ruim, de desinteressado, de interessante, senti ciúmes, fiz você sentir, tentei todos aqueles joguinhos dos casais que vejo por aí, mas nada adiantou. Venceu o nosso prazo de validade, que foi até curto, por sinal. Mas o que posso fazer se amar sozinho não dá?

No geral, foi uma boa leitura. Matheus possui uma escrita simples, porém poética. Depois que nos acostumamos ao ritmo da narração, as frases do autor parecem fluir enquanto conhecemos sua história. Recomendo para quem quer se aventurar como espectador das fases de um romance que não teve um final muito feliz. As experiências podem ser várias para cada leitor. Vale a pena conferir a obra.

Outras fotos:
(clique para ver em tamanho maior)

Não sei se todas as minhas palavras são capazes de responder às suas perguntas ou se as minhas questões não soam mais tão interessantes. Mas ainda assim quero lhe fazer mais um pergunta, a primeira e a última: ainda quer namorar comigo? Não suportaria mais um dia sem a certeza de que ainda tenho você para mim.

Exemplar cedido em parceria com a
editora para resenha e divulgação
Título: No meio do caminho tinha um amor
Autor: Matheus Rocha
Páginas: 176
Editora: Arqueiro
Ano: 2016
Avaliação: 4/5
Sinopse: Às vezes, a gente insiste em viver um relacionamento que já chegou ao final faz tempo. Tentamos resistir, fazer de tudo para durar mais, lutando para trazer de volta os momentos mágicos do início. Mas, quando o amor acaba, no lugar do conforto e do carinho que existiam só restam feridas que vão doer por um bom tempo e deixar cicatrizes que não desaparecerão. Porque o amor nem sempre é para sempre. Com o fim vem a tristeza, a saudade, a mágoa, o desespero e a vontade de nunca mais sentir aquela dor. Aí fechamos as portas ao perigo de sermos machucados outra vez, mas também à chance de sermos amados de novo. Um belo dia, quando as lágrimas já secaram e nos esquecemos do desconforto, com muito cuidado abrimos uma fresta só para ver a vida lá fora. E, assim como um raio de sol que entra por qualquer brecha, de repente uma vontade de recomeçar nos invade e tudo volta a fazer sentido. E, sem nem saber como, no meio do caminho avistamos novamente o amor – e a certeza de um novo começo!

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